A comunidade IMO está continuamente inovando a metodologia de liderança horizontal, trabalhando com pesquisa-ação. Trata-se de um tipo de pesquisa que se contrapõe à pesquisa científica “tradicional”.
Caracteriza-se por permitir a geração de conhecimento sobre a realidade dinâmica dos sistemas socioeconômicos, ativando os atores em campo para investigar as dificuldades que vivenciam e transformá-las, seguindo uma perspectiva de desenvolvimento sistêmico, na qual a mudança está ligada à capacidade de compreender o contexto.
Através da pesquisa-ação, são trabalhadas questões abertas, reunindo colegas do IMO ligados a institutos de pesquisa e universidades, como:
Nesses dois pontos, a metodologia de liderança horizontal propõe inovações interessantes e está em constante desenvolvimento.
A pesquisa-ação desenvolveu-se a partir de um processo de crítica às teorias e práticas sociais baseadas na racionalidade cartesiana, desafiando o dualismo e a ciência positivista. Ela é proposta como uma das ferramentas mais eficazes e vem sendo experimentada em diversas realidades socioeconômicas dentro de um debate cultural internacional.
Na pesquisa-ação, a relação entre sujeito e objeto é intersubjetiva: ambos são atores sociais, produto e produtor de trajetórias a partir de uma relação mútua; o objeto empírico não tem mais um papel passivo, mas sim ativo, assim como o pesquisador.
A pesquisa-ação torna-se uma ferramenta indispensável para o estudo de sistemas complexos, considerados, como argumenta Edgar Morin, um conjunto de variáveis heterogêneas — subjetivas e objetivas — que só podem ser conhecidas no estudo de sua interação.
As últimas três décadas testemunharam, de fato, uma transição na forma como muitos acadêmicos têm encarado a relação entre teoria e prática.
A insistência acadêmica na neutralidade do observador na investigação, a incidência de problemas na vida real e a recorrência avassaladora de crises estruturais em praticamente todos os lugares levaram muitos pesquisadores da área socioeconômica a adotar novas posições quanto à possibilidade de iniciar as mudanças consideradas necessárias.
Assim, houve um amplo debate e confronto internacional sobre essas questões, a partir da perspectiva destacada por Gustavsen (em Reason, Bradbury, 2001): “se as ciências sociais pretendem ajudar a construir o futuro e não apenas interpretar o passado, a tradição descritivo-analítica terá que ser superada“.
Esse debate continua na conferência internacional anual sobre pesquisa-ação (Reason, P., Bradbury, H., 2008), na qual o IMO participa.
Fala-se muito em sustentabilidade, mas as condições para uma cultura sustentável ainda não foram criadas, as mudanças de comportamento raramente acontecem e o desafio reside na ligação entre as ideias de design e a sua implementação efetiva.