“Organizações Enxutas (Lean), que Aprendem (Learning) e Longevas (Living) precisam de uma nova Liderança.”
Adriaan Bekman in: Uma Visão sobre o Futuro da Liderança, 2015

Introdução
Desde a Segunda Guerra Mundial, o conceito de gestão transformou-se profundamente. Peter Drucker, um dos gigantes da teoria de gestão, popularizou o termo “gestão” em uma época em que as organizações ainda eram predominantemente familiares e dirigidas por líderes carismáticos e seus círculos íntimos de confiança. Nas décadas seguintes, o campo da gestão evoluiu enormemente, dando origem a várias teorias e modelos, incluindo os pioneiros Frederick Taylor e Henri Fayol. Entretanto, um conceito fundamental sobre o desenvolvimento organizacional que surgiu nos anos 60, introduzido por Bernard Lievegoed, ainda oferece uma perspectiva valiosa para o futuro da liderança: a ideia das fases de desenvolvimento das organizações.
A Transição das Organizações
Lievegoed descreve três fases de desenvolvimento das organizações: a fase pioneira, a fase de diferenciação e a fase de integração. Friedrich Glasl admite ainda uma quarta fase: a associativa. Para maiores detalhes sobre esta 4a. fase consultar: The Enterprise of the Future – How Companies Develop, Hawthorn Press, 1994.
Na fase pioneira, a organização começa com uma ideia inovadora e uma equipe pequena que colabora informalmente. À medida que a organização cresce, ela enfrenta uma crise e se move para a fase de diferenciação, onde a estrutura se torna mais formalizada e especializada. Eventualmente, a organização pode enfrentar uma nova crise de desconexão, o que leva à fase de integração, onde o foco retorna à colaboração e ao envolvimento das pessoas.
Os Três Movimentos Organizacionais
Atualmente, observamos três movimentos significativos em desenvolvimento organizacional: a organização enxuta (Lean), a organização que aprende (Learning) e a organização longeva (Living). Cada um desses conceitos reflete uma tentativa de responder às crises enfrentadas pelas organizações na fase de integração.
1. Organização Enxuta (Lean): Originada do trabalho de Womack e Jones, o conceito Lean enfatiza a eficiência ao eliminar desperdícios e otimizar processos. Exemplos como a Toyota exemplificam a aplicação bem-sucedida desses princípios, embora a implementação muitas vezes tenha sido superficial, sem verdadeiro envolvimento das pessoas na melhoria contínua.
2. Organização que Aprende (Learning): Inspirado pelo trabalho de Peter Senge e seu livro *A Quinta Disciplina*, este conceito valoriza a aprendizagem contínua e a criação de conhecimento compartilhado. O foco é em processos de diálogo e reflexão, mas a prática tradicional muitas vezes falha em integrar o aprendizado no dia a dia das organizações.
3. Organização Longeva (Living): Introduzido por Arie de Geus, o conceito de organizações longevas destaca a importância de se adaptar e evoluir com o tempo, dialogando com as partes interessadas para encontrar novos caminhos e integrar novas gerações.
A Necessidade de uma Nova Liderança
Embora os conceitos de Lean, Learning e Living ofereçam estratégias valiosas, muitos deles ainda são implementados através de modelos tradicionais de gestão hierárquica. Isso limita seu potencial inovador. É essencial uma nova abordagem à liderança que possa unir esses conceitos de forma eficaz.
A Velha e a Nova Liderança
Princípios para uma Liderança Horizontal
Para integrar efetivamente Lean, Learning e Living, propomos cinco mudanças fundamentais na prática de liderança:
1. Separar Gestão de Liderança: Os gestores devem se concentrar na organização e recursos, enquanto a liderança deve envolver todos na criação de sentido e na colaboração.
2. Reavaliar Educação e Recompensa: A conexão automática entre níveis de educação e remuneração deve ser reconsiderada para valorizar adequadamente a complexidade dos trabalhos.
3. Abandonar Hierarquias para Mudanças: Mudanças organizacionais devem ser baseadas em processos reflexivos e colaborativos, não apenas em mudanças top-down.
4. Flexibilidade na Relação Empregador-Empregado: A distinção entre empregador e empregado deve evoluir para refletir uma abordagem mais empreendedora e colaborativa.
5. Conscientização Moral: As organizações devem adotar uma visão ética mais profunda, considerando o impacto de suas ações no meio ambiente e na sociedade.
Conclusão
Para que as organizações se tornem verdadeiramente enxutas, que aprendem e longevas, uma nova abordagem de liderança é essencial. Esta liderança deve ser mais horizontal, promovendo o diálogo, a colaboração e a criação de sentido. Somente assim será possível enfrentar os desafios contemporâneos e alcançar uma organização mais eficiente e adaptável, que não só sobrevive, mas prospera em um mundo em constante mudança. A transformação para uma liderança mais inclusiva e orientada para a comunidade pode liberar novas energias e possibilitar uma vida organizacional mais significativa e sustentável.